Índice do Rodoviário ClickBus, calculado pela Fipe, mostra que a tarifa rodoviária também subiu menos que o diesel, um dos principais custos do setor, e chega aos feriados de novembro e às férias como a alternativa de preço mais estável para viagens entre cidades
São Paulo - Quem vai viajar nos feriados de Finados (2/11) e da Consciência Negra (20/11) ou nas férias de fim de ano encontra no ônibus um preço muito mais estável que o do avião. Em setembro de 2026, as passagens rodoviárias estavam com preços 8,7% mais altos do que um ano antes. No mesmo período, as passagens aéreas subiram 42,5%, quase cinco vezes mais. Os dados são do IRCB (Índice do Rodoviário ClickBus), calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) a partir de cerca de 100 milhões de passagens vendidas desde dezembro de 2017, e do IPCA/IBGE.
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| (Arquivo © BlogTurS) |
Diferença de quase cinco vezes para o avião
A distância entre ônibus e avião aparece em todos os recortes de tempo. Na média dos últimos 12 meses, a passagem rodoviária subiu 5,8%, contra 21,9% da aérea. De janeiro a setembro de 2026, frente ao mesmo período de 2025, a alta foi de 6,4% no ônibus e de 27,6% no avião. Na série completa, iniciada em dezembro de 2017, o IRCB acumula alta de 65,3%. As passagens aéreas subiram 92,4% no mesmo intervalo, segundo o IPCA.
Tarifa subiu menos que o diesel
O diesel ficou 14,4% mais caro em 12 meses e subiu 1,7% só em setembro. A passagem de ônibus avançou 8,7% no mesmo período, abaixo do ritmo do combustível que move a frota. No longo prazo, o descolamento é maior. Desde dezembro de 2017, o diesel subiu 111,0% e o IGP-M, índice usado como referência em contratos, 86,3%. A passagem rodoviária, 65,3%.
Viagens longas e classes de mais conforto abaixo de dezembro
Alguns recortes estão hoje mais baratos que em dezembro de 2025, mês de alta temporada. É o caso das viagens interestaduais (-4,0%), das viagens acima de 400 km (-1,7%) e das classes leito (-1,8%) e semileito (-1,0%). Na comparação com setembro de 2025, a região Norte teve a menor alta do país (+1,5%). No Pará, as passagens ficaram 0,3% mais baratas.
Setembro: alta de 2,0% após recuo em agosto
No mês, o IRCB subiu 2,0%, depois de cair 1,1% em agosto. O resultado foi o mesmo na série com ajuste sazonal, que desconta efeitos de calendário, férias e feriados. A alta foi disseminada entre classes, distâncias e regiões, com exceção do Norte (-2,9%) na série sem ajuste.
“A passagem de ônibus subiu menos que o próprio diesel, um dos principais custos das viações. A gente vê o setor segurando preço num ano de insumo caro. Para quem planeja os feriados de novembro e as férias, isso significa uma alternativa mais previsível que o avião, que subiu 42,5% em 12 meses”, afirma Fernando Prado, CEO, ClickBus.
Ônibus x Outros Tarifas do Transporte
Setembro/26
Ônibus > +2,0%
Aéreo > +9,7%
Diesel > +1,7%
IGP-M/FGV > +1,6%
IPCA Geral > +0,8%
Set/26 x Set/25
Ônibus > +8,7%
Aéreo > +42,5%
Diesel > +14,4%
IGP-M/FGV > +3,3%
IPCA Geral > +4,6%
Acumulado 12 meses
Ônibus > +5,8%
Aéreo > +21,9%
Diesel > +8,1%
IGP-M/FGV > +0,7%
IPCA Geral > +4,4%
Desde Dez. 2017
Ônibus > +65,3%
Aéreo > +92,4%
Diesel > +111,0%
IGP-M/FGV > +86,3%
IPCA Geral > +56,5%
Fontes: IRCB (ClickBus/Fipe) e IPCA/IBGE e IGP-M/FGV compilados no Informe IRCB de setembro/2026.