Destaque da Semana

Turismo internacional no RJ cresce 12% e bate recorde com 1,8 milhão de turistas em 2026

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Resultados foram impulsionados por megaeventos: em maio, houve mais uma edição do “Todo mundo no Rio”, com a cantora Shakira; em setembro, houve jogo da NFL no Maracanã e mais uma edição do Rock in Rio  O turismo internacional no Rio de Janeiro atingiu, em 2026, o melhor resultado da história. De janeiro a setembro deste ano, o estado recebeu 1.834.252 de turistas internacionais – número 12% maior que os 1.631.927 estrangeiros que desembarcaram no estado no mesmo período do ano passado.  (© MTur)  A entrada de turistas internacionais no Rio de Janeiro foi impulsionada pelo evento “Todo mundo no Rio” - um projeto de megashows internacionais gratuitos promovido pela prefeitura na Praia de Copacabana.  Segundo estudo da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (SMDE), em parceria com a Riotur, o evento movimentou cerca de R$ 800 milhões em setores como hotelaria, gastronomia, transporte e comércio.  Neste ano, a cantora Shakira, segundo o município, levou ...

Brasil: Turismo bate novo recorde, mas crescimento perde ritmo

Desaceleração gradual acompanha a trajetória da economia brasileira e reflete o quadro de inadimplência elevada 

O setor de Turismo faturou R$ 25,5 bilhões em julho, maior valor já registrado para o mês na série histórica [gráfico 1]. Trata-se de um crescimento de 2,6% em comparação com julho de 2025, segundo os dados da Pesquisa do Faturamento do Turismo Nacional, da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). 

[GRÁFICO 1]

Faturamento nos meses de julho (R$ bilhões). Fonte: IBGE/FecomercioSP 

Entre janeiro e julho, o setor avançou 3,4% na comparação com o mesmo período do ano passado, com um faturamento de R$ 168,8 bilhões, também o maior valor já registrado nesse período. 

Na leitura da FecomercioSP, o Turismo nacional mantém uma trajetória positiva, mas com um ritmo mais moderado do que o observado nos últimos meses. O movimento é uma consequência da desaceleração da economia, sobretudo com o impacto do crédito caro e da inadimplência elevada sobre a renda familiar. Esses fatores pesam sobre a decisão de gastar com lazer e viagens. 
 

Demanda compensa queda na tarifa aérea 

O transporte aéreo de passageiros seguiu como a atividade de maior faturamento em julho, com R$ 8,1 bilhões [tabela 1], alta de 3% em comparação com julho de 2025. 

A demanda doméstica sustentou o faturamento, com um avanço de 4% e crescimento do número de passageiros transportados de 2,4%, indicando uma recuperação da aviação em relação a junho. Esse resultado se difere do observado em meses anteriores, pois o crescimento não veio do preço, visto que a tarifa média das passagens recuou para cerca de R$ 703, ante R$ 742 no mesmo período do ano passado. 

Chama a atenção também o fato de que o preço do querosene de aviação (QAV) subiu mais de 50% em um ano. Na avaliação da FecomercioSP, as companhias aéreas não conseguiram repassar integralmente esse custo aos passageiros, o que ajuda a explicar a retração da tarifa média mesmo em uma conjuntura de insumos mais caros. 

[TABELA 1]

Faturamento do Turismo em julho. Fonte: IBGE/FecomercioSP 

Hospedagem recua, mas alimentação sustenta trajetória positiva 

Os meios de hospedagem faturaram cerca de R$ 5,6 bilhões em julho, com queda de 1,4% na comparação anual, aprofundando a retração já registrada em junho (-0,2%). Os dados do Fórum dos Operadores Hoteleiros do Brasil (Fohb) mostram recuo de 1,3% na taxa de ocupação e alta de 5,3% na diária média. 

O Fohb reflete principalmente hotéis de maior porte, enquanto o dado de faturamento do IBGE abrange um leque maior de meios de hospedagem, incluindo pousadas, hostels e hotéis independentes, estabelecimentos que são mais sensíveis a um quadro econômico desfavorável e que tendem a sentir com mais intensidade a contenção do consumo das famílias. 

A alimentação voltada ao turismo manteve o desempenho mais consistente do setor, com faturamento de R$ 3,9 bilhões e alta de 6,5% na comparação anual, acumulando crescimento de 5,6% nos sete primeiros meses. A redução da inflação de alimentos tende a reduzir os custos de insumos de bares e restaurantes turísticos, abrindo espaço a uma precificação mais competitiva e favorecendo a manutenção desse ritmo positivo. 

Dois segmentos que vinham de resultados negativos reverteram a tendência em julho: locação de meios de transporte, que voltou ao campo positivo após dois meses de queda, com alta de 2% e faturamento de R$ 2,9 bilhões, e as atividades culturais, recreativas e esportivas, que cresceram 1,6%, somando R$ 709 milhões.  

Dentre os demais segmentos pesquisados, o transporte rodoviário de passageiros faturou R$ 1,8 bilhão, com alta de 4,9% na comparação anual, enquanto o transporte aquaviário cresceu 6,9%, somando R$ 778 milhões. As agências de viagens, operadoras turísticas e outros serviços de turismo avançaram 2,3%, com faturamento de R$ 1,7 bilhão. 


Bahia tem maior variação porcentual 

Na análise regional (que exclui o transporte aéreo), o Turismo brasileiro faturou R$ 17,4 bilhões em julho, com crescimento de 2,4% na comparação anual [tabela 2]. Ao todo, 17 Unidades da Federação (UFs) registraram alta no período, enquanto 10 sofreram queda, sinal de que o crescimento do setor não está sendo compartilhado de forma ampla pelo território nacional. 

[TABELA 2]

Faturamento do Turismo Nacional em julho — Estados. Fonte: IBGE/FecomercioSP

São Paulo manteve a liderança nacional, com faturamento de aproximadamente R$ 7 bilhões, equivalente a cerca de 40% do total do Brasil. O crescimento de 2,6% no mês reforça o bom momento do Estado, que acumula alta de 3,4% nos sete primeiros meses de 2026, sustentado pelo fluxo contínuo de eventos corporativos e pelo dinamismo do mercado da capital paulista ao longo do ano. 

A Bahia apresentou a maior variação porcentual entre os Estados de receita mais expressiva, com alta de 18,7% e faturamento de R$ 759 milhões. O Rio Grande do Norte avançou 16,3%, somando R$ 141 milhões, e o Amapá cresceu 12,4%, ainda que em volume absoluto reduzido.  

No campo negativo, as maiores retrações foram observadas em Mato Grosso do Sul (-8,6%), Tocantins (-7,7%), Ceará (-6,9%) e Pernambuco (-6,7%). 

A FecomercioSP mantém a projeção de crescimento em torno de 4% para o faturamento do Turismo em 2026, o que representaria mais um recorde histórico, com o total anual se aproximando de R$ 300 bilhões, patamar inédito para o setor. Apesar da desaceleração gradual do ritmo de expansão, a tendência segue positiva.