São Paulo - O Índice do Rodoviário ClickBus (IRCB), indicador mensal de preços de passagens rodoviárias desenvolvido pela ClickBus em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), registrou queda de 1,5% em maio de 2026 na comparação com abril, indicando que o passageiro brasileiro encontrou condições mais favoráveis para viajar de ônibus no período.
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| (Arquivo © BlogTurS) |
O movimento é ainda mais revelador quando analisado em perspectiva comparada: enquanto as passagens aéreas subiram 3,2% no mesmo mês, segundo dados do IPCA/IBGE, as passagens rodoviárias seguiram trajetória oposta, reafirmando o ônibus como a opção mais acessível, previsível e estável para o transporte de passageiros no Brasil.
Quando descontados os efeitos sazonais, como feriados, padrões recorrentes de demanda e movimentos típicos do calendário, a variação do IRCB foi de apenas -0,1%. O resultado revela que o cenário estrutural é de equilíbrio de preços: a queda nominal de 1,5% reflete, em grande medida, a normalização natural após o registrado em abril (+3,3%), e não uma tendência de recuo do mercado.
Interestaduais registram maior alívio no bolso do passageiro
As viagens interestaduais foram as que mais beneficiaram o passageiro em maio: os preços recuaram 4,9% na comparação com abril, tornando as rotas entre estados sensivelmente mais acessíveis. No segmento intermunicipal, a variação foi mais contida, de -0,5% sem ajuste sazonal. O conjunto dos dois segmentos reforça que o mercado rodoviário entrou em maio em um ritmo mais favorável ao consumidor em todas as modalidades de deslocamento.
Classes Premium têm maior redução; Semileito cai 5%
Maio trouxe boas notícias para passageiros em todas as categorias de serviço. A classe convencional — a mais utilizada — praticamente não variou (-0,2% sem ajuste sazonal), garantindo preços estáveis e acessíveis.
As classes premium ofereceram as maiores oportunidades de custo-benefício: semileito liderou as quedas com -5,0%, seguido por leito (-2,9%) e cama (-2,5%). Para o passageiro que considera viajar em maior conforto, maio representou uma janela de preços mais competitivos.
Rotas de longa distância (acima de 400 km) recuam 3,3%
O passageiro de longa distância foi um dos mais beneficiados pelo comportamento dos preços em maio. As passagens para trajetos longos (acima de 400 km) recuaram 3,3%, enquanto as de média-longa (-1,2%) e média-curta (-1,1%) também registraram queda. O movimento sinaliza que viajar de ônibus para destinos mais distantes ficou mais barato.
Nordeste tem maior queda do país (-2,6%) às vésperas do São João
O Nordeste apresentou a maior queda do mês: -2,6% nominal. Para o passageiro, o resultado representa uma janela concreta de passagens mais acessíveis em uma das regiões com maior tradição em viagens de ônibus no país, sobretudo no período que antecede o ciclo das festas juninas.
Centro-Oeste e Sudeste apresentaram reduções nominais contidas -0,7% e -1,8%, respectivamente, revelando que o mercado nessas regiões opera com estabilidade estrutural. No Norte, o recuo nominal de -1,1%, é sinal de que a demanda de fundo permanece ativa, e que o movimento de maio foi essencialmente pontual, e o Sul do Brasil foi a única região a registrar alta nominal em maio de (+0,7%).
Resiliência: ônibus segura preços mesmo com alta no diesel e passagens aéreas
O comportamento do IRCB em maio evidencia uma dinâmica favorável ao passageiro no curto prazo. Enquanto as passagens aéreas avançaram 3,2% no mês, segundo o IPCA/IBGE, os preços das passagens rodoviárias recuaram 1,5% na comparação com abril. Embora o preço do diesel também tenha caído no mês — com recuo de 2,3%, segundo o IPCA/IBGE —, esse insumo relevante para a operação do transporte rodoviário ainda acumula alta expressiva de 14,5% quando comparado com maio de 2025, nesse mesmo horizonte, o IRCB avançou 6,7% na comparação interanual. Esse comparativo tem reforçado a resiliência e previsibilidade do transporte rodoviário de passageiros, que segue desempenhando papel central na mobilidade nacional, com ampla capilaridade territorial e presença em rotas e destinos muitas vezes não atendidos por outros modais.